21 de fev. de 2011

Resumo: O saber histórico na sala de aula


BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes (org.). O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexo, 2006.
O livro tem a proposta de contribuir para a necessária reflexão dos professores, pesquisadores e, no nosso caso, de alunos de graduação, acerca da reformulação das políticas públicas de educação e da disciplina de História no que tange a redefinição dos conteúdos e dos métodos de ensino.
São ensaios da própria Circe Bittencourt e dos professores Kátia Abud, Maria de Lourdes Monaco Janotti, Maria Auxiliadora Schmidt, Antonio Terra, Adriana Mortara Vasconcellos, Elias Thomé Saliba, Ricardo Oriá, Carlos Alberto Vesentini e Marcos Napolitano, referentes a duas temáticas: propostas curriculares e linguagens no ensino de história.
O livro apresenta-se como importante instrumento de apoio para os profissionais da área de educação na hora de elaborarem suas propostas de atividades. Numa linguagem clara e objetiva visando uma melhor compreensão das ideias e sugestões ali contidas.
O saber histórico na sala de aula dá continuidade e aprofunda uma discussão muita intensa que remonta aos anos 1970 e 1980 no Brasil sobre a necessidade de uma revisão nas práticas, métodos e conteúdos da história ensinada. Neste período percebemos uma maior abertura para questões ligadas à educação no país, especialmente após o fim da ditadura militar instaurada desde 1964. Se percorrermos as estantes e prateleiras de livrarias e bibliotecas, poderemos nos deparar com uma expressiva produção de livros e artigos em revistas especializadas sobre o assunto. O próprio livro em questão nos oferece exemplos na suas referências bibliográficas sobre esta produção com quem dialoga, contrapõe-se, complementa, polemiza, concorda em diversos aspectos.
A primeira parte - Propostas Curriculares - é composta pelos artigos Capitalismo e Cidadania nas atuais propostas curriculares de História, Currículos de História e políticas públicas: os programas de História do Brasil na escola secundária, História, política e ensino e A formação do professor de História e o cotidiano da sala de aula
Em Capitalismo e cidadania nas atuais propostas curriculares de História, Circe Bittencourt, faz uma análise das diferentes propostas curriculares já elaboradas no país entre 1990 e 1995, traz um breve histórico e características das propostas curriculares analisadas e vai articulado com as transformações políticas, sociais e culturais vividas pela sociedade brasileira nesse período. Bittencourt percebe uma mudança nos paradigmas no que tange o pensar a idéia de identidade nacional e cidadania no Brasil e sugere a enfase da ampliação do conceito de cidadania no interior das propostas curriculares de História.
No artigo, Currículo de História e políticas públicas, é elaborado um história da disciplina no Brasil desde os primórdios do Império, passando pela os vários momentos do regime republicano até chegar as recentes discussões sobre as reformas curriculares realizadas a partir de 1980.
No artigo História, Política e Ensino, alerta para necessidade de se repensar o papel dos conceitos de política, passado e memória dentro do ensino de História. Temas recentes da História Imediata, na sua leitura, são mais privilegiados e acatados do que o estudo dos acontecimentos passados por importantes setores da pesquisa e ensino, que pensam, dessa forma, “reagir contra o racionalismo positivista e marxista, ocultador das descontinuidades.
A segunda parte do livro – Linguagem e Ensino – é composta de sete ensaios que abordam os usos de diferentes fontes, métodos e linguagens no ensino de História. Devemos prestar especial atenção ao destaque dado pelos autores ao uso de fontes como livros didáticos, pinturas, objetos e artefatos, fotografias, programas de TV e filmes na sala de aula para a construção do conhecimento histórico.
Ela constitui belas propostas de trabalho que podem ser apropriadas de acordo com os interesses e necessidades de professores e alunos nas aulas de História.

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