4 de out. de 2011

Resumo: Uma pedagogia da história?

Miceli, Paulo. Uma pedagogia da história? In: Pinky, Jaime (org.). O ensino de História e a criação do fato. São Paulo: Contexto, 2009. p 37-52.

Para Miceli o docente, para desempenhar sua missão, deve partir da experiência cotidiana dos alunos, oferecendo elementos que lhes permitam ultrapassar as formas tradicionais de ensino da história.
E nesse aspecto o autor lembra que não é apenas a escola a responsável pela educação dos cidadãos, eles trazem uma base dos espaços sociais freqüentado, o que inclui a própria família.
O que diferencia o professor de história, segundo Miceli, é os compromissos políticos, por significa comprometer-se com uma estética de mundo, onde guerras, massacres e outras formas de violência precisam ser tratados de modo crítico.
Outro ponto abordado por Miceli é o de incentivar o desenvolvimento de uma espécie de sentido histórico ao aluno para atuar no mundo em que vive e para isso o professor deverá ter clareza de sentido e aplicação de conceitos como cidadania, diferença, semelhança, permanência, transformação, questionamento, convivência entre outros e ter em mente que o aluno constitui o objetivo central de toda ação educativa.
Para ensinar história é preciso gostar de história. Dessa forma o professor permeará a sala de aula reflexões e debates, embasada em leituras realizadas, transmitindo também aos alunos a importância dos hábitos de leitura, a freqüência nos espaços culturais e a reflexão sobre o que se lê. Para que a disciplina seja uma espécie de história militante, onde estudo e vivência pudessem, de alguma forma, permanecer juntos.
Miceli lembra de um tempo em que a história era doutrinação e se destinava a formar, reforçar e manter os valores nacionais, reformularam o ensino de história através de muitos projetos imaginas para dar conta disso, mas a maior parte virou resultado nulo ou só incluía novos temas, como trabalho, sexo, religião, vida cotidiana, além da sempre recomendada importância de incentivar a participação do aluno e o desenvolvimento de seu espírito crítico e da criatividade. Apesar da recomendação o professor continua sobrecarregado com as pedras de sua formação.
Para Miceli é necessário pensar numa espécie de história militante em que a violência do feitor ou do senhor de engenho seja denunciada e se desdobre em outros exemplos de outras lutas mais ou menos sutis que se travam à nossa volta, retirando assim o cheiro de poeira, coisa velha e de pouca valia, a que muitos rotulam a história. Ao professor resta a coragem necessária de transformar em cinza ou adubo pilhas e pilhas de livros didáticos, burlar vigilâncias, criar e aceitar novos desafios e experiências, para que a história ganhe respeito e importância.