28 de mai. de 2011

Marchas e Contramarchas da Democracia: Os anos 60 e 70 do século XX: Entre golpes e protestos

Projeto apresentado à disciplina de Estágio Obrigatório, sob orientação da Profª. Dra. Ana Maria Marques.


Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente, olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo o troco...
(Paulo César Pinheiro & Maurício Tapajós, “Pesadelo”, 1972)



INTRODUÇÃO
O poder da juventude reside na própria juventude. Eles carregam a essência de serem novos e com isso, qualquer idéia ou mesmo sonho, tem um campo fértil para se concretizar.
Trabalhar Marchas e Contramarchas da Democracia e em específico o poder da juventude que enfrentou os golpes nas décadas de 60 e 70, com o ensino fundamental da 8ª série B da Escola Estadual da Policia Militar Tiradentes visa situa-lo num tempo em que as lutas e rebeldia dos jovens fizeram ocorrer transformações ao seu redor.
Rebeldia que contrapunha a moda comportada e sofisticada das décadas anteriores mudava-se cabelos, maquiagens, ídolos, estilos musicais e a forma de ver e viver.
É nesse gancho que apegarei: música. Ela faz parte de nosso cotidiano de forma quase imperceptível. Está ligada a minha vida de maneira que carrego uma trilha sonora que é única, são as marcas dos anos vividos, dos amores sofridos, das paixões ardentes, das tristezas, das incertezas, das alegrias.
A juventude da década de 60 e 70 ao redor do mundo também escolheu sua trilha sonora, Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Pink Floyd e Queen. No Brasil Milton Nascimento, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Nara Leão entre outros, davam o recado, não só seu mais de toda uma sociedade calada, contra a ditadura militar então vigente.


JUSTIFICATIVA

Ao analisar o poder da juventude e a música que era utilizada como meio de protesto é uma tentativa de aproximar essa juventude de que eles são sujeitos históricos e podem compreender e melhorar o mundo em que vivem. É aproximar-lo da pesquisa histórica e construir o conhecimento a partir da discussão com base em fontes audiovisuais.
Para isso o desafio do professor, segundo Pinsky, é o de desenvolver uma prática de ensino de História adequada aos novos tempos e também a esses novos alunos, onde tenhamos um conteúdo rico, socialmente responsável e onde a informática e a internet facilitam a parte mecânica do trabalho de investigação.
O professor de história, para Schmitd, deveria ensinar o aluno a captar e a valorizar a diversidade dos pontos de vista, a levantar problemas e a reintegrá-los num conjunto mais vasto de outros problemas, procurando transformar, em cada aula de história, temas em problemáticas. Lançando mão inclusive das inovações tecnológicas.
Neste campo que a Música Popular Brasileira (MPB) fará o papel de fonte histórica, por que esteve ligada a juventude urbana universitária fazendo criticas ao sistema existente, estando extremamente ligada a realidade cotidiana do povo.
Realidade essa que a partir do golpe militar orquestrado por Vargas vai conviver com um regime de ditadura, onde vigora um governo absoluto que se mantém no poder sem o prévio consentimento dos governados (eleições) e utilizam de prerrogativas ilegais no que tange a lei (perseguições, tortura e assassinado).
Como forma de enfrentar a situação posta, os jovens, músicos e a população em geral vão enfrentar a ditadura das mais diversas formas possíveis, seja com os movimentos de resistência seja com os compositores, que para se opor ao cerceamento da liberdade, começam a elaborar composições questionadoras, deixando de ser manifestações meramente culturais para uma forma de resistência popular.
Nas músicas de protesto devemos procurar entender a perspectiva social e histórica refletidas nas canções, utilizadas nos festivais das canções, tocadas nas rádios e como hinos nas passeatas, que reuniam em sua maioria exclusivamente estudantes, que ao som de Geraldo Vandré, Chico Buarque, também conhecido como Julinho de Adelaide, Gilberto Gil, Elis Regina, Caetano Veloso, Jessé, também conhecido como Toni Hiver, Carlos Lira, Edu Lobo e outros mais, cantavam, protestavam, discursavam, carregavam faixas, pichavam muros com palavras e versos de ordem contra o regime vigente.
Com a instituição do AI-5 - Ato Institucional nº. 5 – acontece à desarticulação dos movimentos estudantis, que vão parar na clandestinidade usando como forma de resistência a luta armada, tenta-se a despolitização dos festivais das canções, as composição, jornais, revistas e livros são censuradas.
Trabalhar com a música nesse período é uma tentativa de aproximação dos alunos com os jovens da década de 60 e 70, tentando compreender o processo, o contexto histórico do período, fazendo com que se sintam sujeitos da história, através da fonte música, imagens, fotografias, vídeo e textos.
Até porque segundo Lara Mara C. Siman, citada por PIEROLI, a história não é uma ciência fácil, é provavelmente a mais abstrata das disciplinas, já que o historiador trabalha com um ambiente imaginário e utiliza linguagens e conceitos muitos complexos.


OBJETIVOS

· Participar ativamente da execução do projeto;
· Perceber a presença da cultura das músicas de protesto no cotidiano atual;
· Compreender historicamente as razões pela qual a juventude precisou utilizar da cultura através da moda, da música, da arte, para protestar;
· Refletir criticamente sobre todo o processo e percebam-se também como agente histórico;
· Aprender a importância das diferentes linguagens de protesto utilizadas no nosso cotidiano (Hip Hop e Rap) e as utilizadas nas décadas de 60 e 70 (Hippe, Rock and Rock), e no Brasil (Bossa Nova, Tropicalismo, MPB).


METODOLOGIA

Segundo os Paramentos Curriculares Nacional (PCN) de história da 5ª a 8ª série encontramos que na pesquisa histórica podem ser encontradas diferentes abordagens teórico metodológicas, umas que procuram explicar a vida social e a dinâmica de seu movimento no tempo por meio de teorias globais e outras que enfatizam os problemas sociais, ora pendendo para os grandes movimentos coletivos, ora nas particularidades individuais.
Na ênfase da problematização social, através de diferentes modelos analíticos e conceituais, podemos utilizaras obras de arte, as articulações de poderes religiosos, os rituais, os costumes, as tradições, os desvios de comportamento, as resistências cotidianas, os valores presentes em imagens e textos, as relações e papéis interpessoais e intergrupais que possuem seu tempo, seu lugar, seus valores e suas ideologias.
O método á ser trabalhado neste projeto é todo baseado em análises áudios-visuais, em especial na música, onde ocorre a difusão de personagens, fatos, datas, cenários e costumes que, segundo o PCN instigam meninos e meninas a pensarem sobre diferentes contextos e vivências humanas. As músicas estarão dispostas tanto em áudio como as letras impressas, os textos, artigos e as iconografias/fotografias também estarão dispostos impressos para melhor serem analisados.
A música, segundo Pieroli, permite a compreensão da identidade desses jovens e da história de seus pais, de tal maneira que quando escutamos uma canção, essa nos reporta a um momento inesquecível da nossa vida, ou que marcou a vida do país, assim podemos delimitar um período histórico.
Essa análise será possível uma vez que os alunos, que fazem parte do último ciclo, dominam um conjunto de noções, informações, explicações, procedimentos e reflexões históricas e temporais, que possibilitam estudos mais conceituais das vivências humanas no tempo.
Segundo Napolitano é necessário ao trabalhar com as canções que se identifique a gravação da época que se pretende analisar, localizar o veículo (rádio, TV) que fez com que a canção se tornasse conhecida, mapear o espaço (social e cultural) de sua criação, articulando no contexto histórico.
Para Napolitano não se pode esquecer, é que a música brasileira constitui um grande patrimônio histórico e cultural que contribui para a cultura da humanidade, campo pouco explorado pelas ciências humanas, só muito recentemente ela têm sido estudada de forma mais sistemática, assim como o seu uso em sala de aula. E é a evolução da tecnologia responsável pelo acesso a novos recursos didático-metodológicos que favorecem a efervescência de idéias e técnicas utilizadas nas aulas de história.
Partindo das reflexões apresentadas pelo PCN, Miolla, Napolitano, Pederiva, Pierolli entre outros, ministraremos 4 horas-aula na 8ª série da Escola de Policia Militar Tiradentes, localizada no bairro Morada da Serra, a cerca da “Marchas e contramarchas da democracia: os anos 60 e 70 do século XX: entre golpes e protestos”, pela ótica da juventude daquele contexto, através principalmente da abordagem musical.
Na preparação serão escolhidas e selecionadas as canções e documentários, bem como a preparação do material de apoio (cópias das letras, textos, CDs, aparelho de som e TV).
Em sala de aula haverá a contextualização do momento histórico a ser estudado, uma contextualização do macro (global) até uma micro (Brasil), exemplificando da crise política da renúncia de Jânio Quadros em 1961 até a tomada do poder por Getúlio Vargas. Através de uma aula expositiva e participativa caracterizaremos os diversos movimentos políticos e sociais dos anos 60 e 70 do século XX e os protestos culturais promovidos pelos jovens.
Na segunda aula darei ênfase na participação da juventude nas mudanças ocorridas nas décadas de 1960 e 1970, dos movimentos da Jovem Guarda, da Bossa Nova, do Tropicalismo, dos Festivais da Canção, dos ícones (cantores/compositores).
Na terceira aula trabalharemos diretamente com as músicas através das mídias (CD), iremos problematizar e analisar, de modo que criarem um diálogo entre a música e a contextualização das outras aulas, levando o aluno a construir, segundo Schmitd, um sentido da historia e os seus conteúdos através dos documentos, no caso mídia audiovisual.
Para Schmitd quando o aluno utiliza dos documentos passa a analisar, observar e descrever o documento dá-se a introdução do método histórico, fazendo com desenvolva o espírito critico, reduzindo a intervenção do professor, e diminuindo a distância entre a história que se ensina e a história que é escrita.

Segundo Pederiva as canções construídas em primeira pessoa fornecem a todos que cantam a possibilidade da subjetivação da mensagem, consequentemente a se identificar, pensar, rejeitar e/ou incorporar, refletindo sua condição de jovem.

Na quarta aula para verificação da aprendizagem faremos uma dinâmica ao estilo de QUIZ, para dimensionarmos a aprendizagem ocorrida e o desenvolvimento dos alunos como agente histórico e a aceitação desse tipo de aula.


CRONOGRAMA

Atividades Duração Cronograma
AGO SET OUT NOV

Preparação 16 h X
1ª Aula 1 h X
2ª Aula 1 h X
3ª Aula 1 h X
4ª Aula 1 h X
Elaboração de Relatório 5 h X
Carga Horária Total 25 horas

RECURSOS

Os recursos a serem utilizados serão um tocador de mídia (som), CD com as músicas selecionadas co-relacionada com o tema, textos impressos juntamente com fotografias e iconografias mostrando os protestos e a cultura que essa juventude propiciou nas décadas de 1960 e 1970, um período da história em que a juventude se mobilizou e conseguiu através de sua expressão mudar o mundo. Poderá ser utilizados fragmentos de um documentário da TVE que ajudará na contextualização da década de 1960.


REFERÊNCIA

MIOLLA, Luiz. A MPB na luta pela democracia. Verê-PR: 2008.
NAPOLITANO, Marcos. A Arte engajada e seus públicos (1955/1968). Estudos Históricos, Rio de Janeiro, nº. 28, 2001. P. 103-124.
____________________. A Música Popular Brasileira (MPB) dos anos 70: Resistência Política e Consumo Cultural. Actas de IV Congresso Latinoamericano de la Asociación Internacional para el Estudio de la Música Popular.
www.hist.puc.cl/historia/iaspmla.html, acessado dia 05/07/2010.
____________________. A MPB sob suspeita: a censura musical vista pela ótica dos serviços de vigilância política (1968-1981). Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 24, nº. 47, p. 103-126. 2004.
____________________. A produção do silêncio e da suspeita: a violência do regime militar contra a MPB nos anos 70. Actas de IV Congresso Latinoamericano de la Asociación Internacional para el Estudio de la Música Popular.
www.hist.puc.cl/historia/iaspmla.html, acessado dia 05/07/2010.
PEDERIVA, Ana Bárbara Aparecida. Anos dourados ou rebeldes: juventude, territórios, movimentos e canções nos anos 60. São Paulo: PUC/SP, 2004.
PINSKY, Jaime e PINSKY, Carla Bassanezi. Por uma história prazerosa e consequente. In História na Sala de aula: conceitos, práticas e propostas / Leandro Karnal (org). 2. ed. – São Paulo: Contexto, 2004.
PIEROLI, Sarita Maria. Ditadura Militar no Brasil (pós 64) através da música: uma experiência em sala de aula.
www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/648-4, acessado em 05/07/2010.
SCHMITD, Maria Auxiliadora. A formação do Professor de História e o cotidiano da sala de aula. In BITTERCURT, Circe. O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2006. P. 54-68.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: história. Brasília: MEC/SEF, 1998.
VANISE, Ribeiro e Anastácia, Carla. Encontros com a História. Curitiba: Positivo, 2006.

A realidade social e a educação por projetos: perspectivas para uma nova prática educativa

No livro Entre o passado e o futuro Arendt dialoga sobre a crise na educação, no capítulo 5, foi a primeira de várias discussões sobre didática que permeou o semestre letivo de 2010.


Desse debate ficou fixo, em mim, o porque Joãozinho não sabe ler, apesar de ter garantido por lei o direito a educação.Talvez porque exista um problema na educação, que segundo Arendt está no fato de, por sua natureza, não poder esta abrir mão nem da autoridade, nem da tradição, e ser obrigada, apesar disso, a caminhar em um mundo que não é estruturado nem pela autoridade nem tampouco mantido coeso pela tradição.


Para que Joãozinho saiba ler é necessário um caminho que segundo Hernàndez é a educação por projetos. Então o que seria esses projetos? Projetos constituem um luagr que em sua dimensão simbólica compreende a aproximação com a identidade do aluno que favorece a construção da subjetividade, onde o currículo é a solução de continuidade e onde o que aconte fora dos muros escolares faz parte da aprendizagem.


Na direçaõ desse pensamento o projeto vai além dos limites curriculares, realiza atividades práticas, os temas são apropriados ao interesse e ao estado de desenvolvimento dos alunos, ocorre experimentações como visitas e convidados, é realizada pesquisa, procura-se diferentes fontes de informação, ocorre tanto o trabalho individual quanto em grupos pequenos ou com toda a sala de aula.


Como exemplo de um trabalho com projeto, faço menção ao fime Escritores da Liberdade. Um filme que retrata uma professora que ao entender a realidade de seus alunos, vindos de guetos diferente e que possuiam uma rivalidade ligada a sua raça (negros, latinos e brancos), onde tinham que ser leal ao igual enquanto o diferente era inimigo, consegue tirar da própria vida dos alunos, material para conduzi-los, não somente para ler e escrever, mais para pensar criticamente o mundo em que vivem.


Essa professora parte do tema racial, usando como pano de fundo a perseguição emorte dos judeus, inicia junto com os alunos pesquisas, visitam memoriais, leem livros, em especial o Diário de Anne Frank, levam a escritora ao colégio onde é proferida uma palestra, fazem a relação entre o tema e suas vidas e dessa forma elaboram o seu próprio conhecimento.


O filme mostra toda a etapa descrita por Hernandez como a primeira caracterização de um projeto de trabalho, bem como os resutltados que é à participação dos alunos no processo de pesquisa, a participação no planejamento de sua aprendizagem, tornou-se flexíveis, reconher o outro e compreender seu próprio entorno pessoal e cultural.


Talvez essa solução seja uma boa perspectiva à crise da educação, citando Arendt preparando-as em vez disso com antecedência para a atarefa de renovar um mundo comum.


Que possamos pensar, eu futura educadora e aqueles que já o são, que os projetos constituem, segundo Hernàndez, um planejamento de ensino e aprendizagem onde a aquisição de estratégias cognitivas estão ligadas ao estudante como responsável pela sua própria aprendizagem.


Oxalá, pensemos nessa maneira de ensinar Joãos e Marias orientados para estabelecimento de relações entre a vida deles e o conhecimento das disciplinas.

14 de mai. de 2011

Hino de Mato Grosso - Uma homenagema pelo seu aniversário

O contexto brasileiro (e mundial) do final dos anos 1920

Somente em meados da década de 1980, segundo a professora Maria Helena Capelato, o estudo do Estado Novo foi alvo de grande interesse entre os historiadores, ocorrendo em paralelo a redemocratização do estado brasileiro.

Esse Estado Novo, segundo Capelato, caracterizou-se pela introdução de umnovo regime político orientado por novas regras legais e políticas, orientado pelo autoritarismo oriundo de um intenso controle político, social e cultural e pelo cerceamento das liberdades, inclusive com repressão e violência extrema advindas dos 'porões da ditadura'. Ocorreu, também, um reordenamendo da economia, nova relação do Estado com a sociedade e a própria reorganização do Estado, em sintese o governo varguista toma várias medidas que visam promover o desenvolvimento econômco e outras para estabelecer o controle social, na melhor das ideologias sob a égide da: Ordem e Progreso, que atravessa vários governos militares.

Na área econômica, após a crise de 1929 que atinge duramente a economia brasileira, em meio a uma superprodução cafeeeira, queda do preço da saca de café no mercado internacional, redução da receita cambial, Vargas retoma a política do café, sustentando o setor cafeeiro, através da compra de boa parte da safra paulista com empréstimos de bancos ingleses, estabelecimento de quotas de café de qualidade inferior para serem queimados e promovendo acordos de venda do café brasileiro em outros mercados, em países da Europa Central e dos EUA. Também liberou a taxa de câmbio e reduziu o imposto de exportação.

Segundo a professora Maria Antonieta P. Leopoldi, outras medidas foram adotadas pelo governo, como o monopólio das operações de câmbio pelo Banco do Brasil, a renegociação da dívida externa com os credores inclusive com o adiamento dos pagamentos. Essa última medida representava uma grande ruptura para com a política anterior, uma vez que se preocupava com a cobertura cambial para pagar seus compromissos financeiros e não desenvolviam o país através desse controle cambial e com a seleção das importações essenciais como propôs Vargas. Dessa forma conseguiu vários avanços nessa área.

Politicamente, o 'pai do povo', erregiu as leis trabalhistas, salário mínimo, férias, limitação da jornada de trabalho, segurança, carteira de trabalho, justiça do trabalho e tutela dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho, o que garantia, segundo Capelato, o atendimento das reivindiações operárias ao mesmo tempo que dava ao Estado o controle das atividades independentes da classe trabalhadora. E como essa política não contou com a participação dos interessados, representou uma nova forma de controle social, que dominou diretamente as ações dos operários. Se por um lado o trabalhador viu suas reivindicações serem atendidas, por outro lado, foi privado da liberdade do movimento operário, que passa ao poder do Estado, e não podemos deixar de ciar, que a cidadania passa amera peça do jogo de poder varguista.

E como em todos os aspectos de uma moeda encontramos duas faces distintas, na política de Vargs também encontramos aspectos positivos e aspectos negativos, tão debatidos pelos historiadores atuais do tema.

13 de mar. de 2011

OS TEMPLÁRIOS

Trabalho Aplicativo para a conclusão da disciplina História Medieval, da Faculdade de História da Universidade Federal de Mato Grosso, ministrado pelo Profº Mestre Flavio Paes Filho, realizado pelas alunas Kelly Lohnhoff de Souza e Kyara Ramos Barbosa.
“Ide em frente em segurança, cavaleiros, e com alma intrépida afugentai os inimigos da cruz de Cristo, certos de que nem a morte nem a vida podem separar-vos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, repetindo para vós mesmos a cada perigo: Quer vivamos, quer morramos, nós somos do Senhor. Quão gloriosos sã os vencedores que regressam da batalha! Quão abençoados sã os mártires que morrem em combate! Regozijai-vos, destemidos atletas, se viverdes e conquistardes no Senhor, mas exultai e glorificai ainda mais se morrerdes e vos juntardes ao Senhor. A vida de fato é fecunda e a vitória gloriosa, mas (...) a morte é melhor do que qualquer dessas coisas. Pois se aqueles que morrem no Senhor são abençoados, quão mais abençoados são aqueles que morrem pelo Senhor?”
De laude novae militae de Bernardo de Clairvaux

O Papa Clemente pela bula Vox in excelso, promulgou a abolição da Ordem do Templo:
por um decreto irrevogável e perpetuamente válido, e nós a submetemos à proibição perpétua com a aprovação do santo concílio, estritamente proibindo qualquer um de conjeturar entrar para a referida Ordem no futuro, ou de receber ou usar seu hábito, ou de agir como um templário. E qualquer um que agir contra isso incorrerá na sentença da excomunhão ipso facto”.

Mas quem eram os templários? Porque e por quem lutavam? Qual foi o seu fim? Para Alain Demurger:
A ordem do templo é o primeiro exemplo de uma criação original da cristandade medieval do Ocidente: a ordem religiosa e militar. No século XII, durante o movimento da reforma gregoriana e da cruzada, o novo cavaleiro de Cristo, tal como São Bernardo o enalteceu, pronuncia os votos do monge, vive segundo uma regra, mas atua na vida secular. Em nome de sua fé, ele combate, mata e morre.”

Os templários começaram a existir em Jerusalém, depois da Primeira Cruzada - a palavra cruzada, segundo Peter Partner surgiu na Idade Média quando os soldados cristãos “tomavam a cruz” antes de começarem a peregrinação armada até a Palestina, nos fins da Idade Media a idéia da cruzada foi manipulada por lideres políticos e religiosos até englobar toda uma série de atos de guerra praticados com a sanção da lei da Igreja -, Através de um grupo de soldados devotos, estabelecendo a Ordem dos Cavaleiros Pobres do Templo de Salomão.
A eles foi dado a tarefa de proteger os peregrinos nas perigosas estradas entre Jafa - onde desembarcavam na costa da Palestina - e Jerusalém, reconquistada pelos cruzados. Posteriormente a Ordem do Templo estendeu sua missão à defesa dos Estados latinos do Oriente e, depois, à Espanha da Reconquista.
Passaram a viver sob a regra religiosa conhecida como a de Santo Agostinho, e tinham a ajuda e orientação dos cônegos da Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém. Nesse primeiro momento, faziam orações em horas fixas, em seu refeitório observavam as regras que lhe conferiam um ar monástico e não usavam nenhuma veste especial.
A iniciativa coube e a dois homens, dos quis um, Hugo de Payns, nobre da Champagne, membro de uns ramais novo dos condes de Troyes, torna-se o primeiro mestre da nova cavalaria; o outro foi Godofredo de Saint-Ommer.
A bula papal Omne datum optimum, de 1139, onde o papa Inocêncio II consolidou a aprovação e o privilégio papais, que em 1128 foi reconhecida oficialmente, após o Concílio de Troyes, pela Igreja, onde a Igreja aceitou os templários como organização corporativa de soldados religiosos governados pelo direito canônico e ordem religiosa, sendo que os templários mortos alcançaram a vida eterna depois do suor da batalha na qual “consagraram suas mãos a Deus no sangue dos infiéis”.
Foi o papa Eugenio III que lhes concedeu o direito de usar sobre o manto branco, que passaram a usar sobre as vestes, uma cruz vermelha.
Eles eram recrutados com os discursos de Bernardo de Clairvaux, citado por Piers Paul Read:
O Senhor do céu está perdendo sua terra, a terra na qual apareceu aos homens, na qual viveu entre os homens por mais de trinta anos (...). Sabe-se que vosso país é rico em homens jovens e vigorosos. O mundo está repleto de louvores a eles, e o renome de sua coragem está nos lábios de todos (...). Vós agora tendes uma causa pela qual podeis lutar sem pordes vossas almas em perigo; uma causa em que vencer é glorioso e pela qual morrer não é senão ganhar (...). Não percais esta oportunidade. Tomais o sinal da cruz. Imediatamente vós tereis indulgência de todos os pecados que confessardes com o coração contrito. Não vos custa muito comprar, e se a usardes com humildade, vereis que ela é o reino dos céus”. (pg.128).

Para lutar contra os incrédulos, os infiéis, os inimigos da verdade e do direito, os templários participavam da luta armada cotidiana na Terra Santa, em Jerusalém, na cidade sagrada para o judaísmo, cristianismo e o islamismo.
Após a decisão de entrar para a Ordem juravam submeter, conforme Piers Paul Read: “me submeto à mesma ordem de cavalaria de Deus e do Templo, a fim de servir como servo e irmão, embora indigno, e que todos os dias da minha vida possa eu merecer a indulgência de meus pecados e por herança com o eleito na eternidade” (p.120), entravam num esquema hierárquico, aos modos feudais, da trifuncionalidade, ou seja, eram divididos, conforme Alain Demurger, em: os que combatem (cavaleiros e sargentos), os que rezam (capelães), os que trabalham (irmãos de ofícios). Ele cita que há também os associados, pessoas que pediam para partilhar “do pão e da água” dos irmãos do Templo, numa espécie de ritual de entrada. Após a entrada o templário vai formar um par indissociável com seu cavalo.
Todos que entram para o Templo e se associam a ele acabam fazendo doações materiais – terras, dinheiro, objetos. Milhares de propriedades, grandes e pequenas, foram dadas à ordem, a principio na Inglaterra, França e Espanha, e depois na maior parte da Europa. Segundo Peter Partner, teve-se que organização para administrar esse enorme patrimônio e transferir dinheiro e suprimentos para a Terra Santa. Dessa forma, em pouco tempo a transferência de fundos dava à ordem um novo papel como banqueiro, não só de si mesma como de outros.
Mas em 1307, a Ordem, sofre uma acusação brutal pelo rei da França, Filipe, o Belo, que foi seguida de um processo iníquo e de sua extinção, em 1312. Segundo Piers Paul Read: “a ordem do templo tornou-se o bode expiatório de um conflito que estava além dela e foi exacerbado na França pela personalidade do rei e de seus conselheiros: o conflito entre um poder espiritual na defensiva e o Estado moderno que se afirma no Ocidente desde meados do século XIII”.
Nas primeiras horas da manhã de uma sexta-feira, do dia 13 de outubro de 1307, agentes do rei de França prenderam, por suspeita de heresia, todos os membros conhecidos da Ordem Templária. De acordo com o mandato real de prisão, citado por Peter Partner, “como bestas de carga privadas da razão, na verdade ultrapassando a irracionalidade das bestas em sua bestialidade, eles abandonaram a Deus, seu Criador, e sacrificaram aos demônios, e não a Deus” (pág 70).
O procedimento habitual era a prisão e custódia dos acusados por um tribunal eclesiástico, para fossem julgados segundo o direito canônico, e ao final desse julgamento a sua transferência, para serem castigados pelo braço secular, se esse fosse o veredicto. Conforme descrito por Peter Partner, as prisões foram efetuadas pelo rei, sendo o interrogatório entregue as mãos de seus funcionários reais, que utilizavam tortura física e mental. Ao primeiro estavam preparados para passar temporadas em prisões muçulmanas, mas por terem vivido num mundo fechado e isolado de um grupo militar de elite, tinham o apoio do resto da sociedade, gozavam de privilegio papal, da aprovação real e dos nobre, além dos laços de irmandade com um vasto setor da sociedade nobre, e até mesmo popular.
Eles foram terrivelmente torturados durante o interrogatório judicial, sendo alguns queimados vivos em sinal de intimidação para com os outros, levando-os a confessar. Ao termino de um curto período de crise (1307-1312), a Ordem dos Templários estava dissolvida para sempre.
O governo francês alegou zelo religioso para agir contra o Templo. Para Cristiano Spinola, político genovês, citado por Perter Partner, as verdadeiras razões do rei Filipe, eram de tomar-lhes o dinheiro e também de unir as duas ordens militares do Templo e do Hospital numa única, que seria controlada por alguém da família real francesa. Assim como Piers Paul, cita que, Dante Alighieri os teria julgado vítimas inocentes da cobiça do rei Filipe, ao passo que Raimundo Lúlio, o poeta, místico, missionário e teórico das cruzadas maiorquino, acabou por aceitar que as acusações feitas contra a Ordem do Templo eram verdadeiras, já a occulta philosophia, de Henrique Cornélio Agripa, dizia que os templários estavam associados com bruxas, e o pensador político francês Jean Bodin, cita-os, junto com Jesus, como exemplo de uma minoria vulnerável marginalizada e depois expropriada por um rei ganancioso. Com o advento do Iluminismo, século XVII, surgiu uma terceira concepção dos templários como nem cristão ortodoxos nem heréticos, mas antes como os sumos sacerdotes de uma religião antiga e oculta anterior ao nascimento de Cristo. Os principais agentes dessa metamorfose dos templários de história em mito foram os maçons, confrarias secretas comprometidas com o apoio mútuo, cujo deísmo impreciso tornou-as inimigas da Igreja Católica Romana.
O que sabemos é que os homens, a partir do século XVI, tiveram a tendência de sentir, em relação aos ideais cavalheirescos da Idade Média, um misto de simpatia e aversão. Essas idéias atraíram admiradores mesmo entre aqueles para quem o clericalismo da Idade Media era repugnante.
Para Partner, há duas maneiras muito diferentes de ver o “julgamento” e o fim dos templários: uma delas é política sendo então o julgamento parte da historia da conspiração e perseguição política, motivada por uma espécie de terror e de fascínio pela maneira brutal com que um governo absolutista pode arrancar confissões de crimes e conspirações inexistentes daqueles a quem querem submeter a uma pressão extrema. e do papado que desempenhou o papel de observador passivo, ou mais ou menos complacentes, durante a maior parte dos julgamentos dos templários, acrescentou uma pitada de anticlericalismo a historia; e por outro lado, muitos autores, desde o século XVI, negaram-se a atribuir aos templários o papel passivo de simples soldados-monges traídos e condenados pelo governo e pela Igreja a que serviam, por serem, segundo tais autores, magos instruídos, ricos e poderosos, não tanto por terem propriedades da Igreja, mas sim por controlarem conhecimentos e praticas ocultos.
Assim, após o julgamento, o concilio e promulgação da bula papal, deixava de existir a Ordem do Templo de Salomão, os templários, sendo seus bens passados a Ordem do Hospital, os hospitalários.
Mesmo de forma superficial, o presente, texto abrange um pouco da história dos templários, objetos de próximas aprofundações, do seu nascer a sua extinção. E desvenda a verdade por trás dos vários mitos criados em torno de si.


Bibliografia

DEMURGER, Alain. Os Templários: uma cavalaria cristã na Idade Média. Rio de Janeiro: DIFEL, 2007.

PARTNER, Peter. O assassinato dos magos: os templários e seu mito. Rio de Janeiro: Campus, 1991.

READ, Piers Paul. Os Templários. Rio de Janeiro: Imago Ed. 2001.

9 de mar. de 2011

24 de fev. de 2011

O paraíso no coração da América do Sul

Chapada dos Guimarães foi povoado pelos mesmos clã de bandeirantes Paulistas que chegaram as paragens de Cuiabá na busca de ouro e preá de índios para servirem de escravos.
Em 1751 o Governador Capitão General D. Antonio de Moura Tavares, mandou estabelecer um aldeiamento, onde fossem recolhidos os índios das diversas nações a fim de coibir as incursões contra os civilizados, surge o Adeiamento de Santana, com administração dos padres jesuítas.
Em 1769 é transformado em Sant'Ana de Chapada dosGuimarães, nome dado pelo então Governador Luiz Pinto de Souza Coutinho.






A natureza e as formações rochosas são os principais atrativos para quem visita Chapada. O relevo é considerado um dos mais antigos de todo o país e foi originado de abalos sísmicos ocorridos há mais de 500 milhões de anos atrás. Depois, foram recobertos por gelo, viraram fundo de mares antigos e finalmente, com a ajuda das chuvas e ventos, foram esculpidos até chegarem na forma atual.
Uma das atrações de Chapada é o lugar conhecido como Cachoeirinha, uma queda d’água de aproximadamente 15 metros formada pelo rio Coxipozinho (que depois forma o cartão-postal do Véu de Noiva), rodeada por uma pequena praia de areia e uma mata exuberante entre rochas. Facilmente acessível pela rodovia Emanuel Pinheiro, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães, paga-se para entrar no local.
Vale à pena conferir.